quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret - Assista ao filme no Cinemagic!

5 comentários:

  1. Galera, encontrei essa reportagem n'O Globo sobre um filme colorido registrado em 1901, descoberto pelo National Media Museum, na Inglaterra.Pode ser um novo marco na História do cinema.Deem uma olhada!Abraço a todos!
    http://www.facebook.com/barbarakreischer

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  2. Oops, segue o link:
    http://www.facebook.com/barbarakreischer

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  3. http://oglobo.globo.com/cultura/filme-descoberto-em-museu-pode-ser-primeiro-em-cores-6071461

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  4. Poderíamos dizer que “A Descoberta de Hugo Cabret”, de Martin Scorcese, é uma homenagem aos primórdios do cinema, assim como, um retrato da genealogia da era moderna. O filme começa trazendo referências dos irmãos Lumière em trechos da “chegada de um trem em uma estação”, (projetada em 1895 pelos mesmos). Na verdade, mais do que a própria imagem do trem, o interessante é o efeito causado no público pelo filme, mostrando muita gente assustada ao sentir que o trem sairia da tela (seria o 3D da época???). Vimos no texto de Simmel (nas charges e figuras do jornal) o medo que a modernidade causava nos homens das grandes cidades.
    O cenário do filme – a Gare de Montparnasse, Paris – uma das mais movimentadas estações de trem da Europa. Ambiente perfeito para retratar as multidões e a velocidade da era moderna. Do alto da estação, a figura do flaneur, Hugo, ora observando o mundo à distância, ora entrando em choque com a massa, como diria Baudelaire.
    Além da homenagem aos irmãos Lumière, o filme é também uma homenagem a George Méliès, que é considerado por muitos o pai da da história do cinema.
    A maioria dos filmes de Mélies foram feitos antes de 1910, portanto, filmes mudos. Em certo momento do filme escutamos uma música de piano ecoar pela estação, é a canção "Pelas águas da Minnetonka" de Thurlow Lieurance, lançada em 1913. No início do cinema, as trilhas sonoras ou qualquer música que acompanhavam a exibição de um filme, eram executadas ao vivo ou reproduzidas a partir de, digamos, um fonógrafo.
    Debruçando-nos sobre a história do cinema, é possível apreciar e entender os mais variados detalhes deste filme que, a princípio, pode parecer ingênuo. Por baixo do pitoresco, a história do menino órfão querendo montar o autômato deixado pelo pai falecido, surge, sob a forma de um sutil estofo, a mensagem: “todos nós somos pequenas partes de uma grande máquina trabalhando.”
    O que parece um mero garoto tentando encontrar seu lugar no mundo, é na verdade, a imagem do homem no mundo moderno, uma simples engrenagem na grande maquina capitalista. A personagem, Hugo, vive escondida em um Relógio. A imagem perfeita desta engrenagem.

    Hugo Cabret diz: Eu imagino o mundo como uma grande máquina. Máquinas nunca vem com peças extras, você sabe. Ele sempre vêm com a quantidade exata de que necessita. Então percebi que, se o mundo inteiro é uma grande máquina, eu não poderia ser uma parte extra. Eu tinha que estar aqui por algum motivo. E isso significa que você tem que estar aqui por alguma razão, também.
    A modernidade era o risco do desconhecido, o perigo impossível de ser adiado.

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  5. ...cont....
    Em certo momento, o filme também demonstra metonimicamente esse momento de transição para era moderna e, também, a transição da literatura estranha para o cinema. Georges Méliès relembra seu passado (a partir de 1:34:00), descobrimos que ele construiu o autômato, (possível referência à Olympia, obra de Hoffman) antes de fazer seu primeiro filme, de fato, usando pedaços que sobraram do boneco para fazer sua câmera primeiro filme (os quadros durante a esta narração mostram a remoção de uma parte do autômato, posteriormente colocada em sua câmera). E ainda, quando Hugo, finalmente, repara o autômato, ele desenha uma imagem do filme mais famoso Georges Méliès "Uma Viagem à Lua" – Poderíamos aludir que este esboço tenha sido imaginado por Méliès, antes que ele pudesse realmente ter a idéia de fazer um filme.
    Isabelle diz: Isso pode ser uma aventura, e eu nunca tive uma antes - fora dos livros, pelo menos. Poderíamos entrar em apuros. Hugo Cabret responde: É assim que você sabe que é uma aventura.
    Com tantos estímulos e sensações, o homem buscava mais e mais para satisfazer-se. O cinema não poderia ter vindo em melhor hora. Era preciso exorcisar os perigos e o cansaço do cotidiano. Era preciso sonhar. Existia a urgência da catarse. Novamente o homem pedia por “pão e circo”.
    Georges Méliès indaga: Se você já se perguntou onde seus sonhos vêm, você olha ao redor ... este é o lugar onde eles são feitos. Posteriormente diz: Meus amigos, dirijo-me a todos vocês nesta noite como vocês realmente são; magos, sereias, viajantes, aventureiros, mágicos ... Venha sonhar comigo.
    No cinema era possível identificar-se com o ator em cena. Era possível sorrir, ser “feliz para sempre”.

    Lisette diz: Não se esqueça de sorrir.O inspetor responde: Qual sorriso? Eu já domino três diferentes!

    Em meio a sereias e sorrisos, Hugo Cabret compara (fazendo uma crítica à modernidade) o homem à máquina: Talvez seja por isso que uma máquina quebrada sempre me deixa um pouco triste, porque não é capaz de fazer o que era para fazer ... Talvez seja o mesmo com as pessoas. Se você perder o seu propósito... é como se você estivesse quebrado.
    Ou seja, você deve ser util ao sistema, ter mais valia, senão será jogado à margem da sociedade.
    A vida do homem moderno, agora oprimido pela “novidade” foi, então, sendo moldada, sem que este se desse conta, sob as rédeas do trabalho e da produção cada vez mais “exigente”. George Mélies desabafa: Minha vida me ensinou uma lição Hugo Cabret, e não foi a que eu pensava que seria. Finais felizes só acontecem nos filmes.

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